Pesquisa indica melhores estratégias de memorização

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Explorando a exata razão de algumas pessoas terem uma memória melhor do que outras, pesquisadores da Universidade de Whashington, em Saint Louis, foram levados a estudar as estratégias de aprendizado que jovens saudáveis escolhem para ajudá-los a memorizar uma série de objetos.

Usando ressonância magnética funcional, os pesquisadores descobriram regiões do cérebro especificamente relacionadas com as diversas estratégias adotadas.

Brenda Kirchhoff, hoje, professora de psicologia em Harvard e investigadora no Instituto Medico Howard Hughes, conduziu no passado o estudo na Universidade de Washington, tendo suas pesquisas publicadas na edição de julho de 2006 na revista cientifica Neuron.

“Estávamos interessados em explorar as diferenças na memória que existem de uma pessoa para outra – por que alguns são melhores aprendendo coisas novas do que outros”, disse Kirchhoff. “Nossa principal meta era determinar as estratégias de aprendizado que as pessoas usam e sua relação com a performance de memória.

Além disso, queríamos saber se as diferenças individuais nas estratégias de aprendizado estavam associadas com diferenças individuais na atividade cerebral.”

O que eles descobriram foi que os participantes das pesquisas usaram duas principais estratégias que eles mesmos escolheram para adquirir novas informações.

O uso das estratégias era associado a uma melhor performance de memória. Mais adiante, as diferenças individuais nas estratégias de aprendizado poderia ser relacionada com atividade biológica nas distintas regiões cerebrais.

Utilizando a população da Universidade de Washington para testes na pesquisa, Kirchhoff estudou 29 jovens adultos destros e saudáveis com idades entre 18 e 31, todos tendo uma visão normal e sem histórico neurológico significante.

Os participantes receberam imagens nas quais um par de objetos interagiam, solicitando que as estudassem para uma prova de memória. Os objetos em interação incluíam, por exemplo, um porco em cima de uma chave ou uma banana posicionada na caçamba de um caminhão.

Não foram dadas maiores instruções para que os participantes pudessem escolher seus próprios métodos de memorização.curso memorização

4 estratégias para otimizar a memorização

Enquanto os estudos prévios indicaram que as pessoas utilizam uma variedade de estratégias para ajudá-los a memorizar novas informações, as seguintes quatro estratégias foram as principais utilizadas pelos participantes nesse estudo, incluindo:

1) Estratégia de inspeção visual, na qual os participantes estudavam cuidadosamente a aparência visual dos objetos.

2) Elaboração verbal, em que indivíduos construíam frases sobre os objetos para se lembrarem deles.

3) Estratégia de imagem mental, onde os participantes formavam imagens mentais interativas – como um desenho animado.

4) Estratégia de recuperação de memória, na qual se pensava sobre o significado de um objeto e/ou memórias pessoais associadas aos objetos.

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Estratégias verbais e visuais aprimoraram a memória

A escolha das duas primeiras estratégias descritas acima – inspeção visual e elaboração verbal – resultaram em melhores índices de memória, segundo Kirchhoff.

“As pessoas que usaram as duas primeiras estratégias com frequência tiveram uma melhor performance de memória do que aqueles que as usaram raramente ou não as usaram,” disse Kirchhoff. “Há uma grande variabilidade no uso de estratégia quando as pessoas estão livres para escolher qual usar. Também descobrimos que as pessoas usam múltiplas estratégias para aprender novas informações.”

Além da análise comportamental das estratégias, Kirchhoff  gravou os padrões de atividade cerebral dos participantes através da ressonância magnética.

“Com as informações da ressonância magnética, pudemos encontrar uma relação significativa entre as diferentes estratégias de aprendizado e a atividade cerebral,” disse Kirchhoff. “Estávamos animados para ver se as diferenças nos padrões de  atividade cerebral  poderiam ser explicadas pelas diferentes estratégias usadas.”

Durante a análise da ressonância, os pesquisadores se concentraram nas regiões do cérebro que haviam demonstrado previamente importância no processamento de informações sobre palavras e objetos.

As pessoas que utilizaram a estrategia de elaboração verbal com frequência tiveram maior atividade na região esquerda-anterior do cérebro, que tem um papel importante no pensamento relacionado às palavras.

Em contraste, as pessoas que utilizaram uma estratégia de aprendizado baseada no estudo da aparência visual dos objetos com frequência tiveram maior atividade na região esquerda posterior, com papel importante na visão e recuperação de informação sobre objetos.

Mudanças na atividade cerebral

“Um aspecto muito interessante da pesquisa é que ela revela que nem todos memorizam da mesma forma. As diferenças nas estratégias de memorização emergem tanto comportamentalmente como nos padrões de atividade cerebral,” disse Randy Buckner, um dos pesquisadores. “Houve muitas inovações na tecnologia médica nos últimos anos que nos permitem ver os padrões de atividade cerebral individualmente ao invés de grupos médios. Essas ferramentas permitiram observar os padrões individuais de atividade cerebral e como eles mudam de pessoa para pessoa.

“Essa é uma das primeiras pesquisas a explorar as estratégias de aprendizado individuais tanto em um nível comportamental como cerebral. O trabalho é um testemunho da abordagem inovativa e completa que Brenda utilizou.

Ela empreendeu uma abordagem multinível iniciando com diferenças de comportamento e eventualmente indo ao cérebro. Pesquisas foram feitas no passado para estudar diferenças entre a cognição e memória de indivíduos. A pesquisa de Brenda estabeleceu um novo caminho para investigar as diferenças em nível cerebral.”

Enquanto esta pesquisa está em seus estágios iniciais, estudos futuros podem ajudar a garantir tratamentos para memória através de modificação de comportamento, como em casos de perda de memória por idade ou de doença de Alzheimer.

“No futuro, estamos interessados em estudar a performance de memória de adultos mais velhos e pessoas com problemas de memória para determinar se elas utilizam as mesmas estratégias de memorização que os jovens adultos saudáveis da pesquisa,” disse Kirchhoff. “O próximo passo é determinar se o treino e uso de diferentes estratégias de aprendizado ajudaria a melhor a memória.”

“É uma pergunta em aberto até que ponto a memória de adultos mais velhos e daqueles com a doença de Alzheimer pode ser modificada adotando novas estratégias de memorização,” disse Buckner. “É possível que as estratégias adotadas pelos mais jovens possam ser adotadas por adultos de idade avançada. Poderíamos ver se alguma das estratégias representa uma melhoria na memória dos adultos mais velhos.”

 

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