Os 3 desafios da Educação Infantil no Brasil

Para entender os atuais desafios na vida dos educadores é preciso retornar ao passado e descobrir as raízes da Educação Infantil no Brasil.

Um breve olhar na história

As primeiras instituições dedicadas ao cuidado infantil surgiram na Europa em decorrência do grande número de crianças órfãs e abandonadas durante as guerras, especialmente após a Segunda Guerra Mundial.

No Brasil, a situação durante a Segunda Guerra Mundial era diferente, mas certos movimentos como as revolução industriais impactaram profundamente a sociedade: as mulheres, que antes ficavam em casa cuidando dos filhos, começaram a entrar no mercado de trabalho. Diante desse cenário, onde e com quem ficariam seus filhos?

Algumas mulheres nessa época não podiam trabalhar por motivos de saúde ou idade e por isso, recebiam em suas casas os filhos dos vizinhos que precisavam trabalhar.

Assim começou a caminhada da educação infantil no Brasil.

Foi só na década de 30 que o Estado começou a investir na educação pré-escolar ou das crianças menores de 6 anos. Nesse momento, o cuidado era totalmente assistencialista, ou seja, supria apenas as necessidades alimentares e de higiene das crianças.

Educação como direito da criança

A Educação Infantil foi reconhecida como um direito da criança no Brasil no final de década de 80. Creches e pré-escolas então foram formalizadas como centros educativos.

Mais tarde a Lei de Diretrizes e Bases da Criança dizia que “A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os seus anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, completando a ação da família e da comunidade” (LDB 9394/96, art.29).

No entanto, o cuidado com as crianças não mudou drasticamente como no papel, e até hoje ainda é possível encontrar casos de assistencialismo na educação. Mas será que a verdadeira Educação Infantil de qualidade resume-se a isso?

Listamos a seguir alguns desafios do Educador Infantil:

1. Educação Infantil ainda é vista como secundária

Segundo uma pesquisa de 2014, realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com o Instituto Paulo Montenegro,  53% dos brasileiros acham que as crianças só aprendem alguma coisa a partir do sexto mês de vida.

Quando questionados sobre o que era mais importante para a criança, 51% citaram a ida ao pediatra e vacinação, enquanto apenas 18% identificavam que a atenção dos pais era mais importante.

O que esses números significam?

Que os próprios brasileiros ainda possuem uma visão assistencialista em relação ao cuidado infantil. Por esse motivo, a Educação Infantil no Brasil ainda parece ser vista como algo secundário.

Logo, esse é um dos principais desafios do Educador Infantil. É preciso que a sociedade em geral entenda que, bebês e crianças pequenas possuem um rico universo de aprendizado, que deve ser tratado com respeito, seriedade e afeto, até mesmo pelos educadores.

2. Formações dos profissionais

Parte das faculdades brasileiras ainda não possui conteúdo rico sobre a primeira infância ou metodologias de humanização na educação.

Normalmente são conteúdos teóricos que não refletem a realidade das salas de aula. Assim, torna-se um verdadeiro desafio para que o educador entenda o aluno dessa faixa etária e suas reais necessidades para proporcionar uma educação profunda e de qualidade, que influenciará toda a formação seguinte.

3. A organização dos espaços e propostas pedagógicas para bebês

Mesmo com uma melhora significante, muitos dos espaços voltados à Educação Infantil ainda são precários. Não apenas pela falta de segurança, mas pela falta de elementos ricos em possibilidade de aprendizado.

Além disso, não basta apenas adaptar propostas do Ensino Fundamento ao Ensino Infantil, visto que os dois públicos possuem necessidades totalmente diferentes. Muitas vezes os professoras não possuem uma visão prática e adaptativa das atividades que devem realizar em sala de aula.

O brincar na Educação Infantil tem muito significado. As atividades lúdicas devem ser desenvolvidas com frequência em sala de aula, mas apenas se o educador souber o significado profundo por trás dela. Algo que nem sempre fica claro.

A boa notícia é que aos poucos esse cenário está mudando. Metodologias como Pikler e Montessori vêm ganhando cada vez mais espaço nas propostas pedagógicas de creches e escolas.

Você se identificou com alguns desses aspectos? Deixe um comentário e exponha a sua visão sobre a Educação Infantil no Brasil.

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