A ludicidade na educação e no imaginário infantil

O brincar é o jeito mais rico e natural de aprendizado durante a primeira infância. É brincando que a criança pequena descobre o mundo e amplia seus conhecimentos.

O papel da ludicidade na educação

A palavra “lúdico” inicialmente significa “jogo”. No entanto, com o passar do tempo e os estudos desenvolvidos sobre a sua importância na psicomotricidade da criança, acabou recebendo um significado mais profundo.

O lúdico, portanto, está relacionado à aprendizagem por meio de atividades que promovam o desenvolvimento completo da criança, sejam brincadeiras, jogos ou brinquedos. As atividades lúdicas, por sua vez, influenciam diversas áreas do desenvolvimento infantil e refletem nos aspectos sociais, cognitivos e afetivos.

A ludicidade e o mundo interior

O lúdico pode ser trabalhado em qualquer tipo de atividade. Despertar o prazer e estimular a participação das crianças é essencial para o sucesso da proposta pedagógica.

Contudo, o adulto deve ter consciência dos objetivos e aplicabilidade por trás dessas atividades, do contrário pode prejudicar a criança ao invés de ajudá-la.

É por meio das brincadeiras que a criança pode expressar suas alegrias, dúvidas, emoções diversas, sentimentos, medos e anseios.

A ludicidade trabalha ativamente na construção de universos imaginários, que dão suporte a todos os tipos de emoção na primeira infância.

Quando uma criança brinca com um pedaço de madeira, pode imaginar que é um foguete ou um carro. Nesse momento ela dá um significado diferente ao objeto.

Enquanto os brinquedos possuem esse aspecto transitório do físico para o imaginário, as histórias transpassam essa barreira.

Uma viagem pelos contos de fadas

Quando a criança muda o significado do objeto, quer dizer que dentro dela existem anseios impossíveis de serem realizados naquele exato momento e por isso, apela para o seu mundo imaginário, onde todos os seus desejos podem ser realizados.

Se o brincar da criança é a imaginação, por que não utilizar histórias como ferramenta para aplicar o lúdico na educação?

Rubem Alves, psicanalista e educador, certa vez citou que “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”. Reflete-se nessa frase o mundo interno da criança, onde a imaginação é protagonista no seu dia a dia.

Em termos de aplicabilidade, os contos de fadas são o gênero que mais se aproxima da linguagem da criança graças a sua estrutura e simbologia.

Esse tipo de narrativa faz parte do chamado conto maravilhoso, onde vivem criaturas encantadas, muitas vezes superiores à condição humana. São as fadas, elfos, magos, entre outros. É onde o impossível existe e transforma-se a cada instante.

As histórias são ferramentas das atividades lúdicas, pois a criança se diverte e ao mesmo tempo trabalha a própria imaginação, encorajando, por exemplo, a soluções de questões a respeito de si e do mundo que a rodeia.

Assim, os contos por meio de suas transformações impossíveis, escondem questões universais como formações de valores e conflitos de poder. Eles colaboram para o entendimento da criança e na construção de sua própria personalidade, que será refletido ao longo de toda vida.

É contando histórias para os pequenos, que os adultos transmitem conhecimentos, experiências e valores.

Por isso, é importante entender a estrutura, as simbologias e os personagens presentes nos contos de fadas para aplicá-los como ferramentas educativas.

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