A linguagem ritual dos bebês

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Em nosso artigo anterior esclarecemos que os bebês possuem sua própria linguagem, e que nós adultos, precisamos nos dedicar a conhecê-la se quisermos adentrar e compreender seu encantador mundo.
Uma vez que tenhamos assumido essa necessidade, será natural que surja um interesse em conhecer as formas de linguagem do bebê. E para que possamos ter êxito nessa busca, precisamos começar tomando consciência de algo fundamental: por ter acabado de chegar ao mundo, o bebê ainda não sabe como se situar frente às duas grandes esferas de manifestação da vida, que são o tempo e o espaço.

O tempo e o espaço na visão dos bebês.

Se fizermos um breve e simples exercício, vamos facilmente compreender essa questão.
Toda e qualquer ação – que propomos a nós mesmos e aos demais – é sempre realizada em certo momento e em determinado local. Deixar isso claro é essencial para uma boa comunicação.
Ocorre que nós adultos suprimos essa necessidade com base em conceitos intelectuais e abstratos.
Por exemplo, falamos que vamos nos encontrar em certo local, às 10h. Mas isso pressupõe a compreensão de um endereço e do que significa um relógio e seu funcionamento de marcar as horas do dia, algo que um bebê ainda não pode compreender.
Logo, devemos saber que se falarmos a um bebê para se acalmar, pois sua mamadeira chegará em dez minutos, estaremos usando uma linguagem sem efeito para os pequenos.
O resultado óbvio será o choro de insatisfação da criança e o sentimento de frustração dos pais.
Isso acontece porque para trabalhar com conceitos abstratos precisamos de um nível de desenvolvimento mental que os bebês não possuem, pois estão ainda amadurecendo a estrutura da sua mente.
Então como podemos resolver esse impasse?
Devemos saber que a linguagem dos bebês não é intelectual, nem sequer lúdica, mas sim ritual. O rito é uma forma ancestral de ação e de comunicação. É um assunto profundo e vasto, mas para nosso objetivo atual devemos saber que um rito consiste basicamente em um ato que se repete sempre da mesma maneira.
As ações ritualizadas podem ser absorvidas e incorporadas pelos bebês, pois não necessitam de uma compreensão intelectual.
O ritual é uma espécie de linguagem de encantamento, que chega até nós mais pelas vias do corpo e das emoções, do que pela mente. Esse é o motivo de ser tão eficaz para os bebês.
Há uma série de estudos científicos e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), orientando a utilização de rituais para reduzir o nível de estresse das crianças e dos próprios pais, que perceberão seu dia a dia ser extremamente facilitado por terem aprendido a se comunicar com uma linguagem compreensível aos bebês.

Como aplicar os rituais na rotina diária de nossos bebês?

Além de fixar momentos e lugares específicos para cada coisa que vamos fazer, recomenda-se utilizar músicas, versos ou simplesmente pequenas frases melódicas e rimadas para ritualizar momentos importantes no dia do bebê, e assim, ajudá-lo a compreender o que queremos lhe comunicar nessas horas.
Podemos ter a música ou verso da hora do sono, do momento de transição da brincadeira para a refeição, da refeição para a higienização e assim por diante.
O fato é que se utilizarmos a linguagem ritual, em poucos dias poderemos ver uma significativa melhora em nossa relação com o bebê, porque essa é a linguagem que ele pode compreender.
Aprender sobre a linguagem ritual é o primeiro passo para aperfeiçoar a relação com nossos bebês.
Entretanto, essa relação poderá ser ainda melhor se dominarmos basicamente as três ferramentas de comunicação com os pequenos, que será o temo de nosso próximo artigo. Até lá!

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