A incrível linguagem do bebê

Por: Prof. Dr. Roger Hansen.
Doutor em Educação e pesquisador da primeira infância, Roger Hansen, compartilha de seu rico conhecimento em uma série de artigos para o Blog de Aegis.

O tema da linguagem é sempre muito interessante, pois trata de entendermos basicamente como podemos nos colocar em contato com os demais e compreendermos uns aos outros.

Isso é válido tanto para os adultos quanto para as crianças, mesmo tão pequenos como são os bebês.

A linguagem é essencial à vida

Sem uma linguagem adequada, estaríamos isolados, sozinhos, sem conseguirmos nos socializar, o que significa deixar de satisfazer uma necessidade essencial para a vida humana.

Para comprovarmos este argumento, podemos refletir sobre circunstâncias simples como a experiência de ser um estrangeiro e não dominar o idioma de determinado local.

Podemos ainda considerar a hipótese de estarmos em nosso próprio país e sermos abordados por um estrangeiro, que nos faz uma pergunta em um idioma desconhecido, de forma que nada podemos responder.

Ou ainda a experiência de rouquidão pontual, que por algumas horas ou dias após um resfriado nos leva a ficar sem voz, impedindo nossa comunicação oral com as pessoas.

Por mais que em situações como as exemplificadas acima busquemos outras formas improvisadas de comunicação como gestos, mímicas, uso de objetos, etc., sentimos uma enorme agonia por ser tão difícil nos colocar em contato com o outro.

Se refletirmos sobre essas experiências poderemos ter uma ideia, mesmo que geral e um pouco imprecisa, do que significa ser um bebê que precisa se comunicar. Estamos falando de um ser humano que acaba de chegar ao mundo.

Colocando-se no lugar dos pequenos

 

Até mesmo pensar sobre isso é difícil para nós adultos: o que significa estar no mundo há quatro ou cinco meses apenas? É algo quase inimaginável para quem domina tantos recursos de vida.

O fato é que essa é a situação de um bebê; ele não sabe falar, até certa idade não domina seu corpo, não pode improvisar gestos ou sequer deslocar-se até o que deseja.

Diante desse cenário, o bebê sente suas necessidades, clama para que sejam atendidas, mas nem sempre pode se fazer entender.

Logo, concluímos que os bebês não podem se comunicar como os adultos. Mas será então que os bebês não possuem linguagem?

A linguagem própria dos bebês

 

Não poderíamos cogitar que talvez tenham uma linguagem, mas que nós adultos não a entendemos, tal como estrangeiros que pela primeira vez chegam ao mundo dos bebês sem conhecer seu idioma?

Não será assim que muitos pais se sentem? Pois o fato é que sim!

Desde antigas tradições educacionais até a ciência moderna, a neurociência, a psicologia e a pedagogia há uma concepção unânime: os bebês têm sua própria linguagem! E mais, ela não é tão rudimentar e imprecisa quanto nós adultos julgamos. É até mesmo especializada!

Recentemente Andrew Meltzoff, psicólogo americano, que atualmente é uma das maiores autoridades mundiais no estudo da infância, concedeu uma interessante entrevista a uma revista brasileira e, já no título chamou a atenção dos leitores por denominar os bebês de “detetives emocionais”.

Com essa expressão fez questão de dar provas e argumentos bem fundamentados, que mostram como os bebês são capazes de captar e compreender o tom de uma mensagem, as intenções e emoções por trás de uma fala, e até mesmo preconceitos sutis dos adultos que com eles convivem.

E como se isso não bastasse, são capazes de expressar o que pensam, sentem e necessitam.

Como os adultos podem entender essa linguagem

Com isso todos os adultos, mas principalmente os papais e mamães de todo o mundo, podem concluir que precisarão aprender a linguagem dos bebês para cumprirem bem com seus papeis diante dos próprios filhos.

Mas como é essa linguagem? Como se estrutura? Como podemos conhecê-la e utiliza-la?

É sobre isso que pretendo falar nos próximos artigos. Por isso não finalizo o assunto, mas incentivo um importante pensamento: uma vez que aprendemos que os bebês são inteligentes, possuem linguagem própria, que podem se comunicar conosco, e que nós adultos podemos entendê-los, será importante despertarmos nosso interesse em conhecer mais a fundo a linguagem dos bebês e, por meio dela, abrir as portas para seu maravilhoso mundo!


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