Bebês são detetives emocionais, segundo estudo de psicólogo.

Psicólogo sugere que bebês conseguem assimilar até os preconceitos mais sutis de seus pais.

Recentemente a Revista Época entrevistou o psicólogo americano e pesquisador da infância, Andrew Meltzoff, que confirmou o que muitos educadores já suspeitavam: os bebês captam com perícia as emoções dos adultos.

A sensibilidade emocional dos bebês

De acordo com o psicólogo, que durante 40 anos vem estudando crianças de 0 a 5 anos, os bebês mesmo quando estão dormindo sentem as emoções dos adultos que estão por perto.

Por exemplo, eles sabem quando seus pais estão com raiva e até mudam de atitude em função disso. Esse detalhe foi observado por meio de um experimento.

Inicialmente os bebês presenciaram um adulto sendo ríspido. Em menos de uma hora depois, outro adulto chegou pedindo o bichinho que pelúcia, que o bebê carregava e pelo qual tinha grande estima. Para esta pessoa ele não quis entregar o bichinho, mas para o adulto raivoso, que desta vez não mostrou hostilidade, os bebês entregaram o brinquedo. Isso tudo para evitar que o adulto ficasse com raiva.

No entanto, um dos pontos que mais chamou a atenção na entrevista foi a capacidade dos bebês assimilarem os preconceitos dos adultos que mais amam e confiam.

Ao observar cuidadosamente a atitude dos adultos em relação a outros adultos e situações, a criança pequena assimila até os mais sutis preconceitos e estereótipos de raça, gênero, nacionalidade e social.

Várias pesquisas na área demonstram que as bases para os preconceitos são construídos nos primeiros anos de vida da criança.

O ideal é que nessa fase os pais, os professores e a sociedade demonstrem à criança que todos são iguais e devem ser tratados da mesma forma.

Portanto, uma das principais preocupações dos adultos deve ser o de transmitir valores éticos a partir do próprio exemplo.

O aprendizado que vem dos bons exemplos

Diferente do que o senso comum diz, não é apenas por serem pequenas que as crianças possuem facilidade para aprender coisas novas.

O meio que vivem é de extrema importância para o desenvolvimento, “A criança aprende sobre si mesma através da observação e da interação com outras pessoas. Elas precisam de nós para aprender. Os pais, avós, tios e qualquer outro cuidador são extremamente importantes para a criança porque ela assimila mais facilmente os comportamentos daqueles em que confia”, diz o psicólogo.

Logo, a atitude de quem cuida da criança também precisa ser observada. Basicamente os bebês, a partir dos 15 meses, já aprendem pelo exemplo.

O psicólogo ainda deu algumas orientações sobre como deve ser esse ambiente salutar de aprendizado.

  1. Deixar a criança brincando e observar a atividade

A criança sabe quando é observada e isso faz com que ela se sinta segura, cuidada e apreciada. Os pais e cuidadores devem apenas observar o que as crianças estão fazendo para criar essa sinergia harmoniosa. Segundo o psicólogo, as crianças “se saem melhor quando recebem a atenção daqueles que amam”.

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É observando o brincar da criança que o adulto lhe oferece segurança, cuidado e respeito.
  1. Preparar ambientes adequados

Os pais da nova geração já saem que brincar é essencial para o aprendizado dos pequenos, mas ainda é preciso alertar para um detalhe muito importe: o ambiente da criança não precisa ser cheio de brinquedos caros, estimulantes e educativos.

A criança não precisa ser “estimulada”. Ao invés disso, deve ter um ambiente rico para ser explorado. Meltzoff comenta que “para os bebês de 0 a 5 anos, ‘os seus’ adultos são o brinquedo favorito. A face, a voz e a interação com os pais, irmãos ou cuidadores são o brinquedo mais educativo de que podem precisar”. Os objetos mais simples como molhos de chaves, panelas, panos e potes já são muito mais interessantes do que brinquedos barulhentos e luminosos normalmente encontrados em lojas infantis.

  1. Berçários x educação em casa

Pesquisas mostraram os mesmos resultados para crianças que frequentam berçários de alta qualidade, e aquelas que recebem educação dos pais em um ambiente saudável.

Mas o que são berçários de alta qualidade? São aqueles em que há um número menor de crianças por professor e que o ambiente é ricamente preparado para os bebês.

No entanto, o importante ainda é a qualidade do tempo que os pais passam com a criança, mesmo que esse tempo seja breve. Quando os pais estiverem com os filhos devem prestar atenção e apreciar verdadeiramente as brincadeiras dos pequenos.

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O tempo com os pais, mesmo que breve, deve ser proveitoso e se reflete na confiança da criança.
  1. O efeito de ambientes hostis e traumas na vida da criança

Seguindo o pensamento do psicólogo sobre a intensa observação dos bebês, aqueles que convivem em ambientes hostis e violentos tendem a ser violentos. Isso não é novidade, mas o que se observa é a tendência de imitar os padrões, principalmente aqueles originados de pessoas importantes para a criança.

Meltzoff orienta que “o importante nesses casos é ajudar a criança a processar efetivamente aquilo tudo que presenciou para que ela não absorva comportamentos danosos às cegas”.

As crianças por sua vez são altamente flexíveis mentalmente. Superam experiências extremas que ocorrem nos primeiros anos de vida, mas para isso precisam ter alguém para se apoiarem e que sejam construídos laços de confiança. Já comentamos aqui no blog sobre a importância da confiança entre educador e bebês, confira.

Quando questionado sobre o motivo de estudar essa faixa etária, Meltzoff comenta que “Há evidências científicas de que o desenvolvimento da criança no começo de sua vida ajuda a determinar o adulto que ela será. O cérebro do bebê é esculpido pelas experiências. Ele é profundamente afetado pelas interações sociais e físicas que tem com o mundo. Nesse período o bebê aprende mais do que aprenderá em qualquer outro período cronológico similar”.

Como observado pelas palavras do psicólogo, a primeira infância é uma época de observações e experiências, que pode mudar toda a trajetória de uma vida.

Clique aqui e confira a entrevista completa da Revista Época.

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