Os 2 princípios de Pikler para humanização e cuidado com bebês

 

Conheça os dois princípios que guiam a metodologia, que é referência nas escolas europeias e cada vez mais ganha adeptos no Brasil.

Bebês são pequenos, choram e dependem dos adultos para a maioria de suas atividades rotineiras. Ou é assim que a maioria das pessoas pensa.

A responsabilidade do adulto é tão grande, que muitas vezes este esquece que o bebê, mesmo com poucos meses de vida, é um ser humano com um universo próprio.

Um ser humano que está conhecendo e aprendendo a viver em nosso admirável mundo novo.

Emmi Pikler, médica húngara e criadora da Abordagem Pikler, dedicou-se ao estudo dos bebês de 0-3 anos, observando o comportamento dos pequenos e criando um modelo de cuidado, que inspirou creches e instituições de ensino infantil por toda a Europa.

Seu trabalho começou logo após a Segunda Guerra Mundial, quando assumiu a coordenação do Instituto Lóczy em Budapeste, que até hoje atende crianças órfãs e abandonadas.

Durante muitos anos, Emmi Pikler e sua principal colaboradora, Dra. Judit Falk, iniciaram uma revolução no cuidado dos bebês, focando principalmente em dois aspectos: segurança afetiva e motricidade livre.

 

Segurança afetiva que faz crescer

A concepção da segurança afetiva começa com a transformação da visão do adulto, que deve entender que cada criança é única e cheia de singularidades e que, seu desenvolvimento, depende principalmente da relação com os adultos, materiais e objetos ao seu redor.

Logo, o profundo respeito pela criança pequena é essencial, uma vez que devemos entender que ela já é uma pessoa, com expectativas próprias, necessidades e idiossincrasias.

O reconhecimento do adulto sobre este aspecto influencia diretamente tanto nos chamados rituais cotidianos, como também para o desenvolvimento psíquico e emocional da criança. Torna-se importante, portanto, saber observar a criança para entender suas individualidades.

A segurança afetiva é então construída diariamente, por meio do vínculo entre cuidador e bebê, além da repetição das ações que conferem certa estabilidade na relação.

O olhar, a comunicação verbal e os gestos durante as atividades diárias, como alimentação, banho e soneca, são essenciais para a criação desse laço. Cada um desses aspectos possui uma técnica especifica, segundo a Abordagem Pikler e seus fundamentos.

 

Motricidade livre e conquistas

Como citado anteriormente, os bebês possuem expectativas. A motricidade livre permite que os bebês desenvolvam aspectos de postura corporal próprios, conscientes, harmônicos e seguros. Isso acontece, pois parte da vontade da própria criança e não como uma interferência externa originada do adulto.

Emmi Pikler trata também da relação entre o ambiente, outras crianças ou adultos e objetos, quando cita que “a saúde somática e psíquica, a noção de interação do indivíduo com seu meio se integram indissociavelmente e naturalmente desde o começo”.

No ambiente livre, as crianças brincam, exploram objetos, texturas e possibilidades, de forma tranquila e ao mesmo tempo ativa. É possível observar, por exemplo, bebês que caminham de forma segura pelo ambiente preparado para sua segurança, relacionam-se de forma consciente com objetos e outras crianças, sempre de forma tranquila e autônoma.

O papel do adulto, portanto, não é de interferir nas atividades das crianças ou estimular suas brincadeiras, mas de garantir que elas encontrem segurança e apoio.

Só assim serão encorajadas a explorarem e aprenderem cada vez mais sobre este mundo, crescendo para serem jovens e adultos independentes, além de saudáveis física e psicologicamente.

Leia também:

Clique aqui e conheça o curso Educação Infantil

Deixe uma resposta